
Junho de 1922 é uma época emblemática para Judith Teixeira e Tsvetáeva: utilizando processos retórico-poéticos diferenciados, ambas as escritoras manifestam nesse mês e nos anos próximos um importante fulgor criativo. Teixeira detém uma sintaxe mais linear e directa, enquanto Tsvetáeva ajoelha à alegria barroca, enfrentando ambas incompreensíveis atritos e perseguições, que não levaram nunca ao servilismo e à sujeição, antes fazendo redobrar os textos de ousadias expressionais e construtivas.
Em Junho de 1922, escreve Judith Teixeira o “escandaloso” poema “A Minha Aman

Enfrentando totalitarismos e pressões sociais, as duas mulheres cedo souberam que ser-se sujeito é viver-se no “êxtase da procriação”. Assim as palavras finais do poema judithiano, cavando o mistério da poesia. Assim o eco e as ruínas produtivas de il miglior fabro… Como, aliás, se vê no tsvetáeviano poema que apresento em passo final, com tradução de Augusto de Campos:
NEREIDA
Nereida! Onda!
Nereida! Onda!
Ela. Eu. Nós dois.
Nada além de
Onda ou náiade.
Teu nome, tumba,
Reconheço, onde for,
Na fé - o altar, no altar - a cruz.
O terceiro, no amor.
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